PIRACURUCA: Secretaria transporta pacientes na carroceria de Hilux; grávidas sofrem
DUAS GRÁVIDAS JÁ SOFRERAM complicações no veículo, e nos casos, fetos morreram
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O uso de uma picape para transportar os feridos e doentes de Piracuruca, cidade a 206 km de Teresina, vem causando polêmica entre os moradores. Sem uma ambulância decente, quem precisa ser transferido da unidade de saúde do município para outra cidade vai ou na carroceria da picape ou quando dá, sentado no banco traseiro. Para o secretário de Saúde do município, Valderi Machado, e a coordenadora de saúde, a alternativa foi a única viável e garantem que ninguém deixou de ser atendido por conta do uso do veículo.
Já neste ano, um leilão foi realizado com as ambulâncias que estavam em pior estado de conservação. A estimativa era de que o leilão arrecadasse no mínimo R$ 150 mil, dinheiro suficiente para compra de um veículo de médio porte para atender a população. Segundo o vereador Eduardo Lima (PC do B), até hoje não há resposta sobre a vinda da ambulância para o município. "Nossa proposta era de vir uma semi-UTI, mas não sabemos se o dinheiro do leilão será suficiente, mas queremos no mínimo um veículo para atender a quem precisa", afirma o vereador.
Enquanto isso, os pacientes estão sendo transportados na traseira de uma Hilux, alugada pela prefeitura. O uso do veículo acontece principalmente em casos ocorridos na zona Vereador comenta casos de pacientes transportados na carroceria da Hilux/ Fotos cedidas ao 180graus por Rafael Carvalho
E recentemente, dois casos ocorridos dentro da Hilux, envolvendo coincidentemente duas grávidas, acabaram gerando debate entre a população de Piracuruca. O primeiro caso foi de uma jovem que por falta de anestesista no município, teve de ser transferida para Piripiri, e ao chegar no hospital, acabou descobrindo que o feto estava sem vida.
O mais recente aconteceu há pouco mais de 20 dias, quando uma mulher de nome Lilian precisou de um atendimento de urgência. Transferida na Hilux, ela acabou tendo o parto dentro do veículo, mas o feto saiu sem vida. Com sete meses e uma gravidez difícil, principalmente pelo histórico de pressão alta da paciente, a locomoção na picape não foi determinante para o óbito do feto, que segundo exames já estava morto há pelo menos dois dias, mas a falta de estrutura do veículo com certeza agravou a situação que já era difícil.
Segundo a coordenadora de Saúde de Piracuruca, Nivia Carvalho, a mãe foi alertada sobre o seu caso de risco, e "ao invés de prestar atenção na saúde, estava fazendo chá de bebê", e completou. "Disse para ela não ficar aqui, casos como este tem de ter resguardo, mas toda vez que um bebê morre deste jeito, as mães dão piti, fazem o maior escarcel. Ela foi avisada, eu como pediatra sei dos riscos. Ela era consciente do programa e não valorizou os recados de permanecer na maternidade Evangelina Rosa, que era o mais indicados para o caso como dela", disse ao 180graus.
Sobre o uso da picape, a coordenadora Nivia Carvalho avisa que a prefeitura "usa o que tem" já que o "importante é dar assistência" e "ninguém deixou de ser atendido. Ela garante ainda que as pessoas "chegam a pedir" para serem transportadas na Hilux, e que comentários sobre o uso do veículo vem de quem "não tem o que comentar da gestão". Para ela, a ambulância do município deve ser resguardada apenas para os pacientes que necessariamente precisam ir deitados, e que a Hilux deve ficar para quem "pode ir sentado".

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