Audiência Pública discute prejudicial aquisição de terras da região por grupos empresariais
Após desmatar as áreas, ocorre a venda do carvão e plantio de eucalipto
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Foi realizada na Câmara Municipal, nesta quinta-feira (9), uma audiência pública da ALEPI, proposta pelo deputado João de Deus (PT), presidida pelo deputado Marden Menezes, sugerida pelo secretário da SEINFRA da Prefeitura de Piripiri, Reynolds Benício. O objetivo da audiência foi discutir a, supostamente, prejudicial aquisição por parte de empresários de outros estados de terras da região rural dos Municípios de Piripiri, Barras, Luzilândia, Esperantina, Batalha e Boa Hora, com o objetivo de desmatar, vender a grande quantidade de carvão e, em seguida, cultivar o eucalipto.
Estiveram presentes presidentes de sindicatos de trabalhadores rurais, promotor Nivaldo Ribeiro, prefeito de Piripiri, Odival Andrade, vereadores de Piripiri e moradores de comunidades rurais de cidades dos municípios interessados na discussão.
Segundo informações, os estados da Paraíba, Rio Grande do Norte e outros estados já foram "vítimas" do desmatamento com a mesma finalidade, mas que o estado do Piauí, por suas características tem uma área bem maior cobiçada pelos empresários.
Em Piripiri, o região de Marinheiro e Vaquejador são visadas. O presidente da Associação Quilombola do Marinheiro, José Alcinei, relatou sobre a preocupação dos moradores e ressaltou que a união em defesa dos agricultores e que possa impedir o que classificou como invasão.
O presidente do STTR de Piripiri, Antônio Soares "Totonho", que levou vídeos e fotos da região de Boa Hora, onde a empresa já está com instalada e sofre com a problemática, lembrou da carta da terra, feita na época em que a empresa Suzano iria se instalar na região. Totonho falou, ainda, dos modos operantes que os empresários utilizam para conseguir apoio, visitando vereadores e chefes do executivo, haja vista que há a necessidade de liberação de uma licença pela autoridade municipal.
Também no uso da fala, o prefeito de Piripiri,Odival Andrade parabenizou a iniciativa deputado João de Deus, assim como o secretário Reynolds pela sugestão. Odival levou falas de apelos de socorro de moradores das regiões, que recebidos em sua casa e relataram a problemática. O prefeito lembrou da importância da sustentabilidade e disse que é hora de se organizar e ressaltou que o desenvolvimento ocorra de maneira sustentável, sem agredir de maneira irresponsável e inconsequente.
O secretário Reynolds Benício, que esteve na região e registrou imagens, disse que esse e um momento de trabalho, a afirmou que as empresas devem respeitar os pequenos agricultores, não os encurralando e impondo condições humilhantes.
Francisco Ferreira, presidente do STTR de Batalha, Município que já vive a experiência, relatou que dezenas de famílias vivem a problemática, com seus, hoje, reduzidos espaços para moradia e plantio para sustento familiar.
O representante do Ministério Público, Nivaldo Ribeiro, falou da importância da discussão e questionou se existe licença ambiental para atuação deles. O promotor falou, ainda, da necessidade de um trabalho preventivo e
sugeriu a presenca dos empresários em uma audiência.
O deputado estadual, João de Deus, fez indagações e disse que o menores não podem pagar pelo preço do desenvolvimento. "Que lucro e esse? Que destrói. Nós não somos contra o desenvolvimento. Somos contra os menores pagarem o preço. O desenvolvimento não pode vir para massacrar a população. Não podem ser penalizados os que nasceram e se criaram na região", disse.

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