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Dr. George M?gno - (86) 9944.1825 magnogamrac@gmail.com

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pense!

'Sonhos que podemos ter, somos quem podemos ser'

Índios, negros e pobres



07/03/2019
A VOZ DO POVO A VOZ DO POVO

Nesta mesma época do ano estávamos, em 2018, a cantar gritos de Ordem e Progresso, sob a regência da Casa Grande. Naquela situação, os senhores de engenho replicavam a necessidade de combate à corrupção, a qual, não raro, esteve em seu seio, mas que sempre fora empurrada para baixo do tapete. Era necessário justificar a volta ao comando e nada mais oportuno do que usar o velho clichê da pátria amada, ora revitalizado pela obrigação do canto ao hino nacional, para manter a parte inferior da pirâmide em seu devido lugar.

Mas eis que, na primeira oportunidade, a senzala desceu o morro e, por meio da maior festa popular desse país, ecoou o grito de resistência que lhe é peculiar através do verso e poesia dos enredos das escolas de Samba Tuiuti, Mangueira, Salgueiro e Beija-Flor (campeã do Carnaval de 2018).

Neste carnaval, as menções honrosas voltam-se para a Mancha Verde, que cantou sobre a saga da avó de Zumbi (princesa africana, aqui tratada como escrava), estampando, em nossas caras, o racismo que insistimos em camuflar e para a Tuiuti, que mostrara a história sofrida dos nordestinos, estes, protagonistas no desenvolvimento de nosso país, a despeito do enorme preconceito a que são submetidos.

Não se pode olvidar, dentro da contribuição da vice-campeã do carnaval do Rio do ano passado, o retrato do atual momento político vivido em nosso país, o que salta aos olhos do observador menos atento.

Entretanto, a vitória da escola de samba Mangueira no Carnaval deste ano (ÍNDIOS, NEGROS E POBRES!) merece todos os aplausos! Primeiro porque estamos diante de um dos maiores massacres da população indígena sofridos desde que o primeiro Português por cá chegou. E aqui, como lá, oculto aos nossos olhos!

A realidade vivida pelos nossos primeiros habitantes aponta para o seu extermínio. Dados recentes evidenciam que, entre os anos de 2003 a 2015, 742 indígenas foram assassinados (fonte: plataforma CACI), todos relacionados com demarcação de terras, ou/e confinamento de população indígena em espaços reduzidos.

Nessa conjuntura, a mensagem apresentada pela Estação Primeira de Mangueira, inserida num contexto carnavalesco/cultural de expressão popular vem preencher, num meio que não tem como prioridade o debate de questões humanitárias (mídia), a lacuna deixada pelo Executivo, o qual prefere externar o seu pensamento de perseguição aos índios mediante a fala de seus representantes, que afirma m serem os indígenas os verdadeiros latifundiários do nosso País. Quadra destacar que, recentemente, o poder supracitado cogitara a entrada de mineradoras em “latifúndio” indígena, numa tentativa grave de extermínio daqueles.

Todavia, a falta de proteção aos índios passa também pelo nosso Judiciário, que em recente decisão emanada da nossa mais alta Suprema Corte reconhecera não haver posse indígena em relação a uma fazenda, em Mato Grosso do Sul, embora houvesse sido declarada pela União como área de posse imemorial (permanente) da etnia guarani-kaiowá, integrando a Terra Indígena Guyraroká.

No tocante ao destaque devolvido aos negros no desfile campeão, mister ressaltar a luta da vereadora Marielle, morta por defender a causa negra e dos direitos humanos, a qual nos remete para os recentes casos de racismo, que mereciam um amplo debate ao invés de seu não reconhecimento, estampados nas redes sociais (morte do jovem negro asfixiado no caso do Supermercado, violência contra negro agredido por seguranças que prestavam serviço à Caixa na frente de sua filha que filmara tudo), e em sentenças teratológicas que tratam o negro de forma discriminatória (sentença em que Juíza apontava que o réu de pele clara não possuía “características” de criminoso).

E por fim, no que concerne aos pobres vale lembrar que, embora a defesa das minorias seja sempre uma bandeira a ser levantada e empunhada (ÍNDIOS, NEGROS E POBRES) esta não deve ser desvinculada de uma realidade de antagonismo social.

Somos um país relativamente jovem e subdesenvolvido, e, diante dos fatos, estamos distante de promovermos reformas a médio e longo prazo, as quais nos alavanquem como nação livre e independente.

Em suma, enquanto estivermos imobilizados e presos a conceitos estanques, os quais ajudam a sustentar a desigualdade social, e o ataque às minorais negadas pelos poderes constituídos, pela sociedade civil organizada e pela grande mídia brasileira, a cada ano vindouro, no período carnavalesco, resta fantasiarmo-nos de seres humanos (brasileiros) e entoarmos o hino da desordem: “desde 1500 tem mais invasão do que descobrimento, tem sangue retinto pisado, atrás do herói emoldurado, mulheres, tamoios, mulatos, eu quero um país que não está no retrato”.


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DESCENDO O MORRO!

SOMOS TODOS TUIUTI!



16/02/2007
Entrada da comunidade Morro do Tuiuti Entrada da comunidade Morro do Tuiuti

Com mil diabos o carnaval é festa profana, na qual os escravos têm dias de reis e se misturam com os seus senhores. Era assim na Mesopotâmia, embora a Igreja tenha instituído a Quaresma logo após a festa pagã possibilitando aos profanos (pecadores) de arrependerem-se de seus atos. Então tudo certo: sagrado, profano: tudo em seu tempo!
No Brasil colonial, as moças brancas ficavam à janela jogando os confetes naquela algazarra geral promovida pelos escravos, os quais, seguindo a tradição mesopotâmica tinham, naquele período, o direito a cantar suas origens.
E o verbo se fez carne! Melhor seria retirar a carne (carnis levale) alcunha chancelada pela Igreja visando controlar aquela festa pagã! Porém os profanos/bicheiros. (Oh, Céus) tocaram seus dedos de Midas e se apropriaram da comemoração dos negrões! E o que era antes festa popular passou a estabelecer regras e virou competição (branco x negro, rico x pobre, home x mulher).
Mas eis que o Cristo Redentor, localizado na entrada da comunidade Morro do Tuiuti, autoriza a mãe Oxum e Pai Ogum, por meio das tradições carnavalescas, as quais cresceram à míngua do poder aristocrático/imperial ecoar o grito sufocado pela exclusão social/racial e todas as suas consequências A favela desce o morro e introduz no palco da Casa de Engenho o retrato da escravidão.
E, aqui, perdoem-me meus irmãos negrões! Evidenciar o racismo camuflado no Brasil, além de todas as formas de exploração ocorridas na espiral histórica talvez fora a maior glória da Paraíso do Tuiuti, embora conquistas recentes tais como o reconhecimento das comunidades quilombolas em alguns estados do país não possam, também, passar despercebido nesse processo de correção histórica (fato este não cantado em lugar nenhum).
Todavia, o país enfrenta uma profunda crise em que direitos sociais são arrancados dos mais pobres e da classe média, embora esta última insista em alavancar o discurso opressor da Casa Grande ou de líderes messiânicos aproveitadores da desesperança destes.
Temos que considerar o alcance das várias facetas de escravidão ocorridas contra os negros evidenciadas no desfile da escola do Morro do Tuiuti para combater todas as formas de exploração. Aqui um adendo ao desfile do Salgueiro, que foi além e nos chamou a uma importante reflexão sobre o papel da mulher negra no processo histórico.
Importante salientar, por conseguinte, as menções honrosas aos desfiles da Mangueira, a qual criticou a situação atual vivida no Rio de Janeiro e Beija-Flor que enfatiza com veemência a violência ocorrida em nosso País usando como artifício, propositalmente, não carnavalizar o tema.
Ressalte-se à classe média, aos seguidores de “mito” e adjacências que dão guarida ao discurso de quem oprime que não virá dos prédios do Leblon e de Copacabana, já que os ofícios lá são outros, nem da República de Curitiba a vitória na disputa que até então estamos perdendo por W.O, haja vista nosso não comparecimento nesta luta desigual.
Não podemos contar com apoio da grande mídia, uma vez que a galera do Morro zombara deles ao vivo e em muitas cores, escancarando a sua escravidão em não poder se manifestar durante todo o período em que a escola de Samba amiga dos pretos passeava apoteoticamente em nossos inconscientes!
Nessa situação de eminente saída do estado de anestesia social peguemos o embalo da efervescência cultural latente das favelas e desçamos o morro sob o canto de Dudu Nobre: “Liberdade, liberdade abre as asas sobre nós”!









SOBRE QUEM SOMOS!



03/01/2018

Faz parte da cultura ocidental comemorar o ano novo como uma renovação de nossas esperanças de um futuro melhor. Admito, como ocidental, que sigo essa tradição, estando próximo de familiares e amigos. Todavia, após me sentir revigorado com o deleite desse raro momento de paz espiritual, ao bisbilhotar as redes sociais me deparei com uma imagem que me destruiu e a qual insiste em me consumir diante da minha fragilidade humana.
Ao ver essa criança negra com frio, podemos concluir que, em meio a toda aquela gente vestida de branco e preocupados com seus selfies, ela seria quem mais tivesse aproveitando aquela ocasião sublime da passagem de ano novo como os fogos de artifício.
Entretanto, com todo o ludismo que a causa negra merece e tentando não estereotipar a criança negra, que já sofre isso no seu cotidiano, devemos refletir que a mesma não seria convidada para aquela festa pobre que os homens brancos armaram para se defender. Na verdade, eles prefeririam apagar sem ver toda essa mística rica negra que já existia antes de eles nascerem.
Estamos tão ocupados ora com nossos feitos e vaidades, ora com nossas agruras, reflexos da nossa condição humana na pós-modernidade que nos esquecemos de observar, quiçá se importar com aquilo que é esfregado em nossas caras de forma violenta e constante: o racismo.
Não vale aqui uma interpretação isolada do fato em si. Não há apenas a contemplação de um evento festivo/simbólico por uma criança negra. Outra visão que não exclui aquela nos remete para uma reflexão bem mais profunda daquilo que somos como seres humanos. Não adianta, em um futuro imediato suprir séculos de desumanização com cestas básicas ou políticas paliativas, porque estas nunca irão cicatrizar as feridas advindas historicamente. Serão apenas, nestes casos, descarrego de culpa ou tentativas de uma equiparação racial que nunca existiu.
A realidade posta nos revela um país que nega sua miscigenação, que exclui o outro, principalmente se este for negro. Essa discussão se apresenta para além de um debate político. Encontramo-nos num processo acelerado de desumanização. Vivemos no mundo da linguagem instantânea ,que releva para o último a discursão sobre assuntos que potencializam nossa pior faceta.
Diferentemente do que ocorre nos EUA, em que o conflito racial/social é estampado, no Brasil o racismo é negado! É camuflado nos programas televisivos, nos quais negros aparecem na mesma cena que brancos como se essa cimentização da realidade fosse a regra. Não podemos negar o evidente avanço com a introdução do sistema de cotas. Mas, este se evidencia tímido diante do hiato existente entra a população negra carecedora e aqueles beneficiados por aquele programa; sem olvidar a resistência imposta pela Casa Grande e seus seguidores que ecoam o discurso em desfavor da manutenção ou melhora dessa compensação histórica aos negros.
Toma conta de mim desde então, uma dor insuportável, talvez por que como lamenta TOM ZÉ (xique-xique), ainda apresente defeito de fabricação. Porque naquela cena percebi o quanto sou pequeno, embora, carregando no meu sangue, o elemento africano, tendo ainda a sorte de externá-lo na minha pele e cabelo. Sou negão, sim senhor, sou senzala, mas sem acreditar nesse contorno apresentado de um mundo harmônico entre dominante e dominado, porque, ao contrário, seria pecado!







NA HORA ERRADA!



27/10/2007
PALADINOS DA ESPERANÇA PALADINOS DA ESPERANÇA


No ano de 1989, a literatura cinematográfica nos premiou com uma de suas maiores obras, qual seja o filme SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS!A narrativa trata do dia-a-dia de uma escola preparatória para jovens em internato bem conceituada da Inglaterra, no final dos anos 50, marcada pela excelência e tradicionalismo das escolas da época.
Aqui um primeiro adendo: fiquemos atentos para os internatos da atualidade, que privam os pais da convivência com seus filhos tornando-lhes pessoas estranhas, afinal, a ficção/realidade evidencia ali os efeitos de tal escolha.
E por que agora trazer à tona a supracitada obra, mesmo após quase 30 anos de sua produção? O lema da conceituada escola focalizado no filme nos remete para temas e expressões como disciplina, tradição e honra.
E não se trata de associar os referidos vocábulos às forças de extrema direita e seus ismos intrinsecamente a elas ligados. Embora qualquer semelhança não seja mera coincidência!
Estamos próximos da realização das provas do ENEM, metodologia usada pelo Ministério da Educação para selecionar o ingresso de jovens, em sua grande maioria, nas universidades de nosso país.
Nesse paradigma adotado em nossa sociedade e em muitas outras do mundo ocidental com algumas variações, dezenas de milhares de jovens ingressam em centros acadêmicos produzindo e desenvolvendo conhecimento.
A prova de redação no modelo ora ocorrido aparece como uma das grandes vilãs do referido certame que seleciona os mais aptos a ingressarem nos cursos superiores almejados, dentro de uma sistemática consagrada e aprovada por todos nós.
O papel de vilão atribuído àquela, poderíamos argumentar, é injusto, uma vez que qualquer forma de literatura é sempre libertadora! E o filme supracitado revela uma real demonstração disso. Não se pode olvidar que em SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS um professor de LITERATURA ajuda jovens estudantes a se descobrirem por meio da poesia!
Todavia, o papel libertador da literatura não será vivenciado na prova de redação do ENEM deste ano. Em recente decisão, o TRF da 1ª Região resolvera tornar sem efeito o item 14.9.4 do edital do exame do ENEM que atribui nota zero, sem correção de seu conteúdo, à prova de redação que seja considerada desrespeitosa aos direitos humanos.
Naquele mesmo julgamento, fora defendido que o conteúdo ideológico do desenvolvimento do tema da redação “não deveria ser fundamento sumário para sua desconsideração, com atribuição de nota zero ao texto produzido, sem avaliação alguma em relação ao conteúdo intelectual desenvolvido pelo redator”.
Não se torna necessário um argumento legal extensivo contrário ao julgamento proferido pelo TRF da 1ª Região, haja vista ser aquele evidente na perspectiva de um conceito transdisciplinar/axiológico do Direito, enquanto Ciência e experiência social.
Cumpre salientar que o edital é norma regulamentadora de qualquer concurso, sendo vedado ao Judiciário interferir em critérios de correção de provas sob pena de substituir o papel da Banca Examinadora, consoante entendimento de nossos Tribunais Superiores. A regra acima exposta poderia até ser quebrada em casos de manifesta ilegalidade do certame o que não acontecera no caso concreto.
Mesmo porque a Cartilha do Participante do certame-redação do Enem 2017, divulgada pelo INEP expressa, de forma clara, quais ações e expressões serão sempre avaliadas como contrárias aos direitos humanos (defesa de tortura, mutilação, execução sumária, e qualquer forma de justiça com as próprias mãos, entre outras).
Ademais, há em um conflito aparente de normas constitucionais: liberdade de manifestação e direitos humanos a preferência por este último.
Cumpre lembrar que nosso país é signatário dos Tratados e Acordos Internacionais que elevam os direitos humanos (promover o bem de todos sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação; repúdio ao terrorismo e racismo) ao mais alto patamar do seu exercício em sua plenitude, não podendo sofrer restrições, salvo se conflitar com interesse mais protegido, o que não ocorre no caso em tela.
Entretanto, se já não bastassem tais argumentos para repudiar a decisão que excluiu do edital da prova de redação do ENEM o item que proibia manifestações atentatórias aos direitos humanos, mister nos preocuparmos com o reflexo da mesma em nossa realidade atual.
Vivemos em um momento de total desesperança sobre um futuro que nunca foi tão pertencente somente às forças divinas (O FUTURO A DEUS PERTENCE!) Neste contexto, o avanço do discurso do ódio e todas as suas implicações limitam nossas tolerâncias ao diferente/outro e afloram sentimentos egoístas potencializados por pseudos salvadores da pátria que nos “agraciam” com discursos enganosos em instante de desespero.
A liberdade, outrora erigida como condição sined qua non para nossa existência e sem a qual não podemos exercer outros direitos que levamos dezenas de décadas para formamos no inconsciente social, está na iminência de ser substituída pelas expressões acima, tais como: honra, tradição, ordem e progresso.
Nesse diapasão de incertezas, decisões como esta acima questionada, que penetra em uma das formas mais pungentes de liberdade, qual seja, a literatura, para cerceá-la só reforça o avanço das forças que defendem os “ismos” com todas as suas consequências (racismo, fascismo, tortura, misoginia, homofobia), enfim, tudo o que contraria os direitos da dignidade humana.
Num último momento de análise, e atendendo sempre à intenção desse espaço em oferecer outra versão dos fatos (CONTRA O MÉTODO) seria preferível acreditar que, em um contexto de iminente tragédia, a poesia (literatura) retratada e defendida em SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS, a qual faz surgir a verdadeira liberdade, aquela que alimenta nossos sonhos e esperanças em um mundo realmente mais justo, possa servir como incentivo àqueles jovens, últimos paladinos da esperança (segundo Morin), em momento futuro de seu crescimento psicológico, a se tornarem os nossos heróis na clandestinidade. De preferência à margem, para sua própria proteção ( todo herói tem um vilão que deseja seu fim), como os grandes contribuintes de uma sociedade melhor se mostraram no decurso de nossa existência!














heróis de verdade

BASTARDOS INGLÓRIOS!



12/06/2017

Tenho dito algumas vezes por aqui, ou por ali que a literatura cinematográfica tem nos dado verdadeiras aulas de realidade. BASTARDOS INGLÓRIOS (2009) do espetacular Quentin Tarantino são uma dessas obras de ficção que muito tem a ver com nosso mundo real.

A história começa com uma aula de persuasão em um breve monólogo que assusta ao mesmo tempo em que encanta pela genialidade. Mas deixemos esse enredo para ser deliciado aos que tiverem a curiosidade de apreciar a bela obra do cinema.

Voltando ao nosso mundo real viralizou nas redes sócias duas situações semelhantes, que a princípio deveriam ter o mesmo deslinde, digo a princípio, porque em qualquer lugar civilizado seria assim. Todavia, estamos falando de Brasil.

A primeira foi a comoção pelo rapaz branco de olhos claros, este embora seja herdeiro de família rica escalou muro, entrou em automóvel fugindo da policia, mas teve todos os amparos da lei e cuidado da sociedade. Quero deixar claro que o problema dos dependentes químicos não seja algo que não mereça atenção especial. Todavia, não é apenas do cara de pele clara, “bem nascido”. Tal mazela ultrapassou o muro da Casa Grande para se tornar uma preocupação de todos nós.

Já o rapaz pobre que teve tatuado na testa “ SOU LADRÃO SOU VACILÃO”, não teve a sorte do mesmo amparo, nem pela lei, nem pela sociedade.

Fico aqui imaginando o papel desses “justiceiros seletivos” (melhor definição do amigo Lelê Teles, fala que nesse texto se faz presente) tal como os que se agruparam para fazer tamanha arbitrariedade em uma pessoa que é acompanhada pelo CAPS, filho de pais que não possuem condições nem de pagar água e luz.
Causa mais espécie, por conseguinte, o eco das atitudes dos “justiceiros seletivos” pobres, que alimentam uma vida carregada de carências, por meio do ópio do discurso da elite “branca” como se esse caminho fosse mais fácil que se juntar ao seu igual e lutar por uma vida mais digna.

Esse tipo de gente e quem ecoam ações dessa natureza são as mesmas que bateram, ou ainda batem panela para outros justiceiros seletivos: Moro, Gilmar Mendes, Shererazade, Danilo Gentili e outros mais dessa mesma espécie. Ou seja, escolheram errados seus super-heróis, mas seus egos inflamados não deixam ao menos reconhecer tamanha falha.

Nessa situação mister ficar com a máxima do Tenente Aldo Raine, porque, embora fosse um justiceiro seletivo a marca que o mesmo deixava nos nazistas todas as vezes que capturava algum com vida era em bandidos de verdade, aqueles cheios de oportunidades (Aécio, e adjacências, Temer e adjacências), que conseguiram seus feitos com base na “meritocracia”, a mesma “meritocracia” que aquela menina salva na enchente em Pernambuco vai galgar após se abraçar com seus livros, único bem que pôde livrar de uma vida sem nenhuma oportunidade.

Na verdade, prefiro os BASTARDOS INGLÓRIOS que eram contra nazistas. Eles eram os “mocinhos”! Acabaram até com Hitler e todos da “meritocracia” alemã! Porque aprendi desde cedo que o bem tem que vencer o mal, embora o amigo Castelo mais uma vez irá me condenar pelo meu maniqueísmo.

Porém dessa vez vou ficar do lado do amigo Lelê Teles, com arrimo na máxima de Desmund Tutu sobre escolher um lado da guerra! Vou ficar do lado do LADRÃO VACILÃO, outro BASTARDO INGLÓRIO, que não teve oportunidade de não ser, como eu e o Lelê!
“Palavra da salvação” (por Lelê Teles)







A LIÇÃO NÃO APRENDIDA



08/05/2017
criança Síria com mãos levantada ao confundir câmara com arma criança Síria com mãos levantada ao confundir câmara com arma

Recentemente fomos testemunhas da morte do pequeno Aylan ao tentar fugir da Guerra na Síria. Restou evidenciado naquele episódio o problema dos refugiados que buscam uma nova vida fora das áreas de conflito e que sofrem com as politicas ultranacionalistas daqueles que não conseguem observar o outro com o olhar da dádiva. Tema, este já abordado em outras inquietações por aqui.
O impacto da imagem daquela criança morta estendida na praia poderia ter sido o símbolo de uma nova era para todos os povos que sofrem com a falta de tolerância.
Entretanto, a Síria volta a ser palco no cenário mundial, nos remetendo para nossa pior faceta, qual seja a intolerância com o outro, logo após o ataque com armas químicas a rebeldes vitimando dezenas de pessoas, inclusive crianças, o que seria o quarto ataque identificado, segundo investigações da comissão independente das Nações Unidas.
Naquela zona de conflito que inclui países como Líbano, Israel, Turquia..., povoada por guerras civis intermináveis a paz parece estar longe de chegar.
De um lado o governo ditador de Al Assad que mata sem piedade, vide os 400 mil mortos nesse confronto, apoiado pelo governo Russo, que foi diplomático quando precisou ser e bélico na mesma medida. Sem olvidar a ajuda do Irã, outrora renegado no plano internacional, mas que ganhou força nessa empreitada com a Rússia.
Do outro os EUA, que como passo de mágica deixou de considerar o ditador aliado na “guerra” contra o estado Islâmico e resolveu tomar as dores dos rebeldes que lutam contra o governo Sírio. Sejamos sincero! Assad deu o motivo que TRUMP queria para por em prática a passagem de sua ideia inicial isolacionista para a expansionista do AMERICA FIRST, na qual os EUA devem ser o superior hierárquico dentro de uma nova ordem mundial a ser proposta. Nada de muito diferente da velha ordem, apenas com outra roupagem!
TRUMP substituiu membros do seu mais alto escalão do Conselho de Segurança composto por Republicanos por membros Democratas. Nessa situação qualquer semelhança do ataque a Síria com a política de Guerra defendida por Hylari não é mera coincidência!
Não nos esqueçamos do que aconteceu com o Iraque sob o argumento do armazenamento de armas químicas por Saddan Hussein. Não amigos! Não é apenas “vale a pena ver de novo” é uma mudança aparente da política de Trump, que afastou membros importantes do seu primeiro escalão para nomear outros que lhe ajudassem na manutenção da politica expansionista dos EUA.
O governante americano, que conseguiu se eleger com discurso da América para os Americanos agora ultrapassa suas linhas para praticar um verdadeiro ato de guerra sem a autorização do Congresso Americano como impõe a lei daquela “democracia”. Não houve também, antes do ataque a Síria pelos americanos, um posicionamento do Conselho Nacional de Segurança da ONU sobre a necessidade de ato tão extremo tomado unilateralmente pelo Presidente dos Estados Unidos.
Aqui um adendo sobre o Estado Islâmico, que se instaurou dentro dos grupos rebeldes que lutam contra Al-Assad. O grande medo que assola o restante da população mundial e que vem sendo disseminado pela maior parte da mídia é a possiblidade de o ataque americano ter fortalecido a face terrorista dos rebeldes (Estado Islâmico,). Melhor explicando, a atenção dada aos ataques constantes do governo Sírio aos rebeldes estaria mascarando o único “real” vilão da história, no caso para a maioria da imprensa neoliberal e boa parte do mundo o Estado Islâmico.
Al-Assad já incorporou o discurso e joga a responsabilidade do aumento da empreitada do Estado Islâmico para aos EUA, sendo seguido pela Rússia de Putin, Irã e adjacências que dão guarida ao governo Sírio.
Nessa situação não esqueçamos, por conseguinte, que o blocão liderado pela Rússia já afirmou que vai reagir caso os Estados Unidos leve a frente a continuação dos ataques na Síria, o que parece uma reação concreta, segundo informa noticiário mundial.
EUA, Rússia levaram suas rusgas para dentro do quintal das áreas de conflito na região da Síria povoadas pelo Estado Islâmico deixando no meio disso tudo as vítimas dessa guerra insana que já dura mais seis anos e com centenas de milhares de mortes. Como descrevera Ney Matogrosso: “Se corre o bicho pega e se ficar o bicho come”.
Estamos assim, nessa nova/velha ordem mundial a mercê de dois líderes imprevisíveis: ora sob a ótica do controlador do jogo de videogame da vida real, que em meio a sua diversão, vez ou outra aperta o botão para dar aos telespectadores o final que eles querem ver; ora sob a ó tica do homem da vodka, um pouco mais articulado, mas não menos imprevisível.
Nesse amontoado de imprevisibilidade não se pode olvidar os tiranos travestidos de líderes, que a qualquer momento podem dar início a uma nova guerra mundial, bom como os fundamentalistas, que aumentam seu exército a cada ato discrepante da civilização ocidental nos deixando a mercê desse estado de medo, que nos assola com a possiblidade de uma nova desordem mundial.
Diante desse quadro aqui apresentado fico aqui em mais uma das minhas inquietações a pensar que, embora diante de uma quadro propício de exterminação em massa, possamos ter o mesmo final do filme A VIDA É BELA (recomendável sob todos os aspectos, exceto o final americano dado na literatura cinematográfica, mas que não condeno devido a necessidade da referência para ganhar o OSCAR de melhor filme e mais outros), no qual o pequeno GIOSUÉ ao final da guerra evidenciou aos quatros cantos do mundo que a Vida era, afinal, BELA!
Ao mesmo tempo, fico a refletir sobre a imagem da menina Síria de quatro anos que levantou as mãos em sinal de rendição ao ver uma máquina fotográfica em sua frente. Assombra vislumbrar em um cenário mais próximo que imaginamos, no qual aquela simbologia de um ato tão inocente e todos os seus desdobramentos seja a regra num mundo habitado por nossas gerações futuras!











EM NOME DO PAI, DO FILHO E DO ESPÍRITO SANTO!

A NOVA BARBÁRIE!



13/02/2017
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Presenciamos nos últimos dias a onda de violência ocorrida em Vitória, capital do Espírito Santo. Ao tomar conhecimento de fato tão revelador lembrei naquele mesmo instante de uma das grandes obras de José Saramago (prêmio nobel de literatura), que recentemente nos deixou indo para um plano melhor que esse com certeza.

Em “Ensaio sobre a Cegueira” reproduzido nas telas pelo Diretor brasileiro Fernando Meireles, o vidente autor supracitado apresenta todas as mazelas psicológicas do ser humano desde seu individualismo exacerbado até os sentimentos de impotência a que somos obrigados a enfrentar no dia a dia devido as nossas próprias atitudes, enquanto pertencentes a um meio social.

A narrativa cinematográfica mostra uma sociedade atingida por uma espécie de cegueira que vai dizimando todos os seus membros a ponto daqueles que não foram atingidos isolarem, no melhor estilo Auschwitz, os que sofriam da cegueira branca.

Aqui a primeira mensagem deixada pela obra, qual seja a fraqueza do Estado refletida pelo individualismo, que separa/segrega aquilo que lhe pode atingir! Algo bem parecido com a forma nazista de impor a superioridade da raça ariana, que colocava “sub-raças” em galpões para serem exterminados.

No Estado de Hitler essa limpeza de raça era feita pelo próprio detentor do poder, na obra de ficção, que nos parece mais real que imaginamos, o Estado coloca os próprios súditos para se combaterem até a eliminação dos mais fracos.

Observada a primeira leitura sobre a mensagem deixada pelo prêmio Nobel de literatura, mister atentarmos que a narrativa não define um país, não define nomes com a intenção de mostrar que o abismo em que estamos mergulhados não é um problema de apenas alguém, ou de um lugar, mas de todos nós, enquanto seres humanos.

Vemos em várias passagens as pessoas atingidas pela cegueira branca, dentro dos depósitos de “sub-raças”, aplicando a lei do mais forte, ou numa expressão mais atual, os mais adaptados à mazela roubando e saqueando os mais fracos, ou menos adaptados, estuprando as mulheres e praticando as mais diversas formas de mostrar os seus lados mais nefastos!

Há, ainda, momentos de êxtase/angústia velada como, por exemplo, quando os portadores da cegueira tomam banho na chuva acreditando que a mesma iria arrastar aquela doença, bem como todas as outras doenças da alma que carregamos no século XXI.

Voltando para realidade nua e crua dos dias atuais, mais especificamente, o ocorrido recentemente em Vitória, além do que já vem acontecendo no Rio de Janeiro, numa dialética talvez maniqueísta, a qual o amigo Castelo, às vezes me aponta, talvez com razão, o que mais me surpreende não é o evidente lado obscuro mostrado pelas pessoas em situações limites.

Para aqueles que estão na parte de baixo da pirâmide, que têm de lidar com a lei do mais forte, da sobrevivência, os saques não seriam menos degradantes, haja vista mostrar nossa incapacidade de responder a situação de limite, mas, pelo menos, seria menos estarrecedor.

O que causa espécie, e aqui também deveria causar preocupação ao observador menos atento é que em Vitória pessoas da classe média não passam por situações limítrofes de estado famélico que justificassem saques a, por exemplo, de lojas de eletrodomésticos.
Observamos ali, aqui e acolá a total ausência do Estado, Desta feita uma pequena fagulha, qual seja a falta de condição de trabalho digna de policiais, e ainda a falta de preparo dos mesmos, problemas estes que assolam todo o aparato policial do nosso país, acendeu todas as outras falhas de nossa sociedade a ponto de ficar evidente em todas as suas formas.

Parece, nessa situação, haver um pacto escancarado de mediocridade entre classe média e governo, daqueles em que um só lado ganha. No caso as elites, as quais são agraciadas com o discurso de justificação de seu poder, ao mesmo tempo em que presenciam a própria sociedade, com participação mais que especial da classe média, fazer a limpeza do sistema.

Essa é a realidade esfregada em nossa cara na atualidade. Enquanto a classe média brasileira, ou melhor, a senzala que se acha casa de engenho, vai se matando, em atos de profunda evidencia de sua falta de condição humana, ficaremos a mercê da máxima: EM NOME DO PAI, DO FILHO E DO ESPÍRITO SANTO, e o pior, ao final de tudo, tendo que continuar dizendo AMÉM!












A NOVA/VELHA ORDEM MUNDIAL

A RETOMADA DAS FORÇAS DE DOMINAÇÃO



30/01/2017
A AMEAÇA DO PROGRESSO INFINITO A AMEAÇA DO PROGRESSO INFINITO

Os últimos acontecimentos em nível mundial, quais sejam: a recente vitória do partido Conservador na Inglaterra; a vitória de Trump nas eleições americanas; e a aparente manutenção da direita conservadora nas eleições da França evidenciam a reorganização do modelo imperialista das potências desenvolvidas.
E, ao contrário dos céticos, que gritam ao mundo que não temos nada a ver com as movimentações geopolíticas acima citadas, devemos refletir sobre o grau de interferência que as mesmas têm em nosso cotidiano, enquanto membros de uma mesma civilização.
Nos EUA, desde a vitória de Obama, o primeiro Presidente negro da história americana, foi criado, principalmente pela população negra daquele país, muitas expectativas no intuito de que algumas mudanças pudessem ocorrer no dia a dia do americano. Expectativa essa compartilhada também por vários brasileiros.
Todavia, ao contrario daquilo que foi sonhado por muitos nunca se matou tanto negro naquele país, a classe média americana se encontra com sue rendimentos estagnados desde 1977, embora o PIB fosse 50% maior. O aparato ideológico usado pela classe rica no intuito de manter a grande massa pobre acreditando na valorização das liberdades individuais não conseguiu mais explicar a imensa desigualdade social que se instalara ali.
Pior, o que vemos hoje no mundo americano ( decreto impedindo imigração, ataque a políticas que levaram décadas para serem consolidadas, entre outras) encaminha os EUA ao um vácuo que não será preenchido por forças do bem, na medida que isola o país deixando-o suscetível aos mais diversos tipos de ataque a humanidade, dos quais o próprio povo do Tio Sam já foi vítima.
Dessa forma, a tolerância camuflada aos negros, aos de outra religião vão dando azo ao ressurgimento do xenofobismo, racismo e outros ismos que hoje permeiam a realidade americana. Prova maior disso é termos, por exemplo, que assistir como mero expectador a KU KLUX KLAN nas ruas dos EUA comemorando a vitória de Trump!
Na Inglaterra (REINO UNIDO) a situação não se mostra diferente. As fichas apostadas nas eleições de 2015 por aqueles que não concordam com o modo de ser Thatcherista/Blairista foram todas arrebatadas com a vitória do Partido Conservador no parlamento, os quais souberam usar o discurso parecido com o de Trump nos EUA insuflando contra a ameaça do Terrorismo, e dos imigrantes na melhor fala nacionalista “precisamos defender os interesses do povo inglês”.
Nesse diapasão o quadro que se apresenta, desde então ali, aponta para uma possível manutenção do modelo conservador inglês, haja vista a demandada de ideais do Partido Trabalhista por parte de seus representantes atuais e o fortalecimento dos partidos de direita nas eleições de 2015.
Não se pode olvidar, por conseguinte, que nessas mesmas eleições do Reino Unido os partidos de oposição foram empurrados para a marginalidade da representação democrática, embora ganhando 56 dos 59 assentos a que têm direito (pequena porcentagem do parlamento inglês), restando apenas a estes (no caso a Escócia) a tentativa de uma independência, que já fora tentado uma vez sem sucesso.
Na França, após a derrota da ala conservadora em 2012, o “Socialista” Francois Hollande, recentemente aumentara a jornada de trabalho, além de promover outras ações antipopulares, tais como concessões a empresários, quando prometia, em campanha, guerra a esse tipo de modelo financeiro.
O mandatário francês se revelou contra seu discurso de campanha e ainda confessou ter autorizado mortes contra supostos terroristas no exterior, além de continuar a política de envio de tropas francesas para países em guerra na África, Iraque e Líbia entre outros, demonstrando claramente o pensamento imperialista, sob o pretexto da guerra ao terrorismo.
Esse quadro de instabilidade, aliado aos recentes atentados à França, a falta de solução para acabar com os mesmos, e as medidas que vão de encontro ao Trabalhador, frustraram o que era pra ser um projeto social para aquele país, fazendo o Partido Conservador e a extrema direita ressurgir mais uma vez das cinzas para aparecerem em recentes pesquisas como francos favoritos para a disputa presidencial que se aproxima.
Por fim, na Itália e Alemanha, outras duas grandes potências da Europa não mostram realidades muito diferentes. No que tange ao país da bota o sucessor de Berlusconi não soubera lidar com momento de fragilidade financeira do País e fora derrotado recentemente em plebiscito que tentava mexer com as estruturas arcaicas do Parlamento italiano, dando maiores poderes ao Executivo. Marc Renzi não resistiu à derrota e foi obrigado a renunciar, deixando o povo entre uma esquerda, ainda incógnita e a volta da turma da direita.
No país da moda europeia, a Chanceler Merkel, vem sofrendo consecutivas derrotas locais, o que a pressiona para acordos do seu partido Conservador com a direita. Nas mesmas eleições recentes ocorridas na Alemanha observa-se ainda um preocupante avanço das tendências neonazistas e fascistas que hoje tramitam as escâncaras no modo de ser alemão!
E o que nós no Brasil temos a ver com essas mexidas no tabuleiro provocadas pelos mais recentes episódios na geopolítica mundial? Ora, caro leitor! Os países mais fortes da Europa que estrategicamente vêm usando a União Europeia sobre o pretexto de enfrentamento da crise estiveram ganhando fôlego e se realinhando para continuar a explorar os países do Terceiro Mundo, no qual infelizmente estamos incluídos e sem qualquer perspectiva de mudança na atualidade.
Resultado disso no nosso dia a dia: mais fome; miséria; maior submissão ao capital estrangeiro; desemprego; menos políticas sociais, só para citar algumas consequências dessa nova reorganização dos modelos de progresso infinito nos oferecido desde a revolução Industrial até a atualidade.
O paradigma até então usado houvera saturado, o que dera certa ideia de liberdade às nações subdesenvolvidas. Na pós-modernidade, as potências europeias e os EUA vêm se reorganizando, sob o pretexto de uma guerra ao Terrorismo e insuflando o discurso nacionalista como bandeira dessa nova forma de dominação mais forte e virulenta.
Enquanto isso no mundo real a ÁFRICA, silenciosamente vem sendo dizimada, com milhares de mortes patrocinadas pelo apoio de países europeus e dos EUA a governos golpistas. Os próprios países europeus de menor expressão e que surgiram agora nações independentes sofrem com a política expansionista daqueles, os quais dão guarida a governos sem respaldo popular.
Aqui na América do Sul não é diferente. Governos golpistas e uma esquerda que não conseguiu dar continuidade aos seus projetos sociais abrem caminho para a volta de antigas forças conservadoras, além de fantasmas antes adormecidos como nazismo, fascismo, xenofobismo e outros ismos que oferecem respostas prontas para esse tipo de situação.
A velha/nova ordem mundial nos remete para o período obscuro vislumbrado por Edgar Morin da Idade Planetária do Ferro, na qual as particularidades de cada nação estão sendo suprimidas pelas novas/antigas forças de dominação.
Nesse momento de intensa movimentação das superpotências, de reorganização de suas corridas armamentistas e de dominação e, ainda de conluios, muitas vezes, com aqueles que juram combater, se faz necessário refletir a que tipo de discurso estamos dando guarida. Se é que apoiamos algum discurso! Ou, ainda, se aquela sensação de que está tudo bem, passada como forma de lavagem cerebral pela mídia e rede social já conseguiu penetrar no nosso consciente a ponto de nos ter transformado em um Sr Smith da vida.
Desta feita, ou caminhamos para parte de cima da espiral histórica, apresentando defeito de fabricação, por meio de uma nova DESORDEM MUNDIAL, ou o modelo de sociedade macdonizada, continuará a habitar a superfície, deixando toda a grande maioria na clandestinidade.
Todavia, mister ressaltar que, mesmo aqui no mundo clandestino (mundo real), embora sendo submetido a todas as espécies de barbárie em decorrência de não aceitar o modo de ser americano e das forças de dominação Européia, não fiquemos à espera de heróis messiânicos, os quais, num lampejo de individualidade, irão salvar a humanidade. Mesmo porque essa espera infinita pelo novo messias é mais uma das várias nuance usada por aqueles que detém o poder para manter o status quo.
Na dialética daqueles que conseguem separar o real do imaginário e a partir daí ter o direito a fazer escolhas sejamos agentes transformadores na família, no vizinho, e na sociedade no intuito de que nossas gerações futuras, em longo prazo, subam todos para a superfície e habitem em um lugar melhor que esse.







UM SALVE AO REI

O RELATO DE UM PANTERA NEGRA!



13/01/2017
REI, REI, REI, REINALDO É O NOSSO REI! REI, REI, REI, REINALDO É O NOSSO REI!

VIVA O REI!
A LIÇÃO DE UMA PANTERA NEGRA!

Um dia desse recolhido ao meu lar e na solidão dos programas esportivos que me acompanham desde a infância fui pego de surpresa por um deles que ate nem tenho tanto costume de acompanhar, qual seja o programa BOLA DA VEZ dos canais ESPN.
Naquele dia permiti-me seguir minha curiosidade, haja vista que com o passar das primaveras, aquela cada vez fica menor. Tal atitude me levou ao deleite de momento ímpar da alma.
Não nego que deixei me seduzir, naquele instante raro, pelo fato de a entrevista estar sendo com REInaldo, um dos meus ídolos de menino jogador de rua.
Durante parte da entrevista o craque nos agracia com as suas façanhas no futebol, dentre elas: a maneira como humilhava os teimosos marcadores que ousavam tentar marcá-lo. Naquele momento este esforçado jogador que vos relata deixara se levar pela emoção das lembranças daquilo que viu do Rei, e ainda do que também não viu, mas que não diminuiu a idolatria pelo REI.
Senti ali, que não apenas eu era embebecido pelos causos do craque REInaldo. Os participantes da mesa do debate, todos de olhos lacrimejando, ficavam a fitar com sues inconscientes as lembranças do futebol de REInaldo.
Entretanto, o que mais me chamou a atenção fora a outra parte da vida de REInaldo, aquela que conhecia apenas de forma mostrada pela mídia, a quem só agora na velhice, aprendi a dar os descontos necessários.
Essa mesma mídia que a todo instante destrói vidas sem permitir que os envolvidos possam oferecer, pelo menos, o outro lado da história, agora concedia ao REI, embora sem saber, tenho convicção disso, a oportunidade de relatar suas verdadeiras experiências de vida.
E o Rei não decepcionou! Propiciou-nos por meio daquele relato, uma das lições mais ricas que um personagem da vida real poderia nos oferecer.
Não se pode olvidar aqui que o futebol é uma das formas universais de expressão da cultura, e aqui, alargando este conceito, por meio dela o ser humano se expressa. E qual a maior expressão do futebol? O GOL!
REInaldo comemorava o GOL com o punho cerrado levantado em posição vertical. Agora o que pouca gente sabia era qual motivo que levava o nosso herói a comemorar daquela forma o momento sublime de uma partida de futebol.
Para entendermos a mensagem passada pelo REI ao se expressar no momento de comemorar seus gols, se faz mister compreender que ele teve sua carreira meteórica no auge da Ditadura Militar, sendo preterido na Seleção Brasileira algumas vezes por atos como a mensagem que passava ao erguer seu punho cerrado.
Naquela época também surgira, um pouco antes da vida futebolística do REI, o Movimento de Defesa dos Direitos dos Negros Americanos denominado PANTERAS NEGRAS, que por muito tempo travou uma luta desigual contra aqueles que praticavam graves violências contra os negros, e que devido ao embate violento se transformou, no século XXI, apenas em um movimento que presta amparo e assistência aos negros, os quais continuam a sofrer as mais variadas e mutantes formas de violência.
REInaldo tinha conhecimento do fato e encampou a luta aqui no Brasil, estendendo ao movimento socialista que aflorava à época em razão do governo de opressão que ali se instalara, erguendo seu punho cerrado.
Não nos esqueçamos aqui que a realidade não mudou muito, nem lá, nem cá, haja vista que, embora os EUA tenham eleito recentemente o primeiro Presidente Negro, nunca se matou tantos negros naquele país como nos dias atuais. No que tange ao nosso País, salta aos olhos menos atentos uma nova espécie de Ditadura, agora com outros sujeitos, revigorada e mais virulenta.
A admiração pelo REI foi só aumentando! Se na atualidade a profissão de jogador já é vista com certa reserva, imagine como era expressar opinião contrária em pleno regime militar.
A atitude de REInaldo, nos mostra que, por mais distante que possa ser de um combate a tudo aquilo que oprime não apenas o individual, mas principalmente o coletivo, podemos naquilo que fazemos, sair da posição cômoda para mudar a realidade que vivemos.
Todavia, nosso REI não parou por ai. Agigantou-se enquanto ser humano e não fugiu das indagações fortes que lhe apresentaram. Falou sobre seus problemas com as drogas e sobre suas seguidas contusões, seus dois únicos marcadores, os quais conseguiram frear sua carreira espetacular.
Ao responder sobre as drogas, deixou a lição, embora os clichês das perguntas que já vinham com as respostas, não lhe dessem espaço. REInaldo insistia, com a força do punho cerrado, em afirmar que, diferente das respostas dadas pelo apresentador, usou drogas pensando que era mais forte que ela, quando na verdade não era!
A entrevista chegou ao seu clímax quando nosso REI falou de que forma seus filhos lidavam com as experiências negativas do PAI(obs: filho de Reinaldo escreveu a bioagrafia do PAI)! Com aquele jeito mineiro de ser lamentou o que fora por ele feito de errado, mas ao melhor estilo punho cerrado, desarmou os apresentadores quando confessou que seus filhos o tornaram uma pessoa melhor, e que nesse ínterim de tempo de sua vida tem se esforçado pra evoluir como ser humano, tendo a consciência de que não é a melhor das pessoas, embora não seja a pior delas!
Assim REInaldo encerrou sua participação naquele programa, para escrever um dos relatos mais ricos da complexa e ao mesmo tempo simples condição de ser humano, sendo apenas um de nós, cheio de virtudes e de defeitos, e que enxerga nos seus filhos uma nova oportunidade de ser uma pessoa melhor. OOBRIGADO REINALDO! REI DA VIDA REAL!







O ESTADO DE EXCEÇÃO DENTRO DE UM PAÍS DEMOCRÁTICO

O TEATRO E A TERATOLOGIA EM DESFAVOR DA DEMOCRACIA

VOLTANDO A 1964!



09/03/2016
O ALVO FOI DEFINIDO O ALVO FOI DEFINIDO

O TEATRO E A TERATOLOGIA EM DESFAVOR DA DEMOCRACIA

Na noite desse domingo dia 06 de março, ao me preparar para escrever este breve texto, fui agraciado com uma mensagem via whatsapp do amigo Paulo Carvalho a quem agradeço a contribuição de grande valia para o enriquecimento do meu argumento, me informando sobre uma entrevista com o Ministro Marco Aurélio Melo que já estava acontecendo no programa CANAL LIVRE na BAND.

A carreira do Ministro Marco Aurélio é marcada por posicionamentos firmes em questões polêmicas e decisões carregadas de elevado senso de justiça. Nesse período algumas críticas, vez ou outra, tentaram encobrir o mérito das decisões do douto Ministro, embora saibamos que o erro é inerente à condição humana. Não somos infalíveis e a falha pode acontecer em qualquer circunstância.

Na entrevista concedida pelo sábio Ministro, o mesmo, a todo o instante era interpelado por jornalistas de renome no cenário brasileiro sobre a decisão judicial que culminou com o MANDADO DE CONDUÇÃO COERCITIVA contra o ex- presidente LULA.
Tive então, diante daquele debate, a curiosidade de analisar de forma mais próxima o ato extremo cometido pelo nobre julgador de primeira Instância, no intuito de emitir um posicionamento mais similar com a realidade, embora sabendo que os atos praticados até aquele momento na OPERAÇÃO LAVA JATO estavam cercados de uma parcialidade que salta aos olhos do observador menos atento.
Nesse caso, alguns pontos merecem uma atenção especial no sentido de que tenhamos uma visão complexa do que ocorre nos dias atuais em nosso país. A nossa Lei Maior elenca como GARANTIAS FUNDAMENTAIS alguns direitos, os quais devem ser exercidos em toda sua extensão, salvo em estado de exceção, uma vez que ali a segurança nacional tem valor mais elevado se comparada com aquelas conquistas constitucionais.
Tais garantias fundamentais são na verdade o sustentáculo de um Estado Democrático de Direito nos moldes em que o Brasil adotou, sendo signatário de vários tratados internacionais, os quais resguardam aquelas, enquanto nações livres.
Desta feita, qualquer ato que vá de encontro ao DIREITO DE IR E VIR, PRESUNÇÃO DE INOCENCIA, DEVIDO PROCESSO LEGAL, LIVRE MANIFESTAÇÃO DO PENSAMENTO AMPLA DEFESA E CONTADITÓRIO (todas estas garantias fundamentais, inclusive chanceladas pelos tratados internacionais, os quais o Brasil assinou) presume-se ser atentatório a qualquer Nação que se julga livre.
Mas analisemos. Se o homem foi presidente duas vezes da República é idoso e foi conduzido debaixo de Vara a um aeroporto do Estado de São Paulo tendo todos os seus direitos tolhidos e, pasmem, segundo O Juiz Sérgio Moro, tal privação ocorrera para sua proteção imaginemos nós, qualquer do povo, quando estivermos em nossas ações do dia a dia. A resposta seria que nenhum de nós queria esse tipo de proteção!
A LIVRE MANIFESTAÇÃO DO PENSAMENTO foi outra garantia constitucional caracterizadora de uma democracia que fora solapada na referida teratologia, quando se tentou justificar a segurança do conduzido sob o fundamento de que um depoimento marcado via intimação, este ato necessário para uma futura condução coercitiva, poderia desencadear um processo de manifestações.

Ora o art. 5º,IV da nossa Carta Magna autoriza a livre manifestação do pensamento, direito este que como aqueles, deve ser exercido por qualquer cidadão em toda a sua extensão, salvo se conflitar com outro de maior valor, o que não ocorrera no caso concreto. Então indagamos que Democracia é esta que proíbe manifestações populares? Qual o medo se esconde por trás da necessidade de justificar ato tão extremo?

Uma democracia, no sentido amplo da palavra, se caracteriza pela salvaguarda das supracitadas garantias. Não há como sustentar a pecha de país livre quando os direitos mais elementares de um cidadão não puderem ser garantidos.

Nessa situação, o despacho do Juiz da Vara Federal de Curitiba passou muito longe de qualquer conteúdo legítimo! E aqui alguns podem até argumentar que a supracitada decisão esteja fundamentada no ponto de vista legal. Pois verdade não é!

Os dispositivos legais ali alinhavados contrariam in totum as garantias fundamentais erigidas por nossa Carta Magna, as quais levaram décadas para serem consolidadas no nosso meio social à base de muitas mortes e sangue. A própria legislação infraconstitucional aduzida pelo magistrado prolator da decisão para fundamentar sua decisão não restou observada pelo mesmo, uma vez que ora não precedeu com intimação necessária com o fim de que o ex-presidente LULA pudesse depor; ora porque as cautelares atípicas, como o próprio nome diz, no Processo Penal perderam força com a edição da lei 12.403/2011.

Não se pode olvidar, por conseguinte, que a LIBERDADE tem preferência diante de qualquer medida restritiva da mesma, sendo aquela a regra universal de todas as nações livres e democráticas.

Todavia, não é o que acontece no mundo real do nosso país! Há um conluio de forças que tenta, em situação muito próxima ao Golpe de 1964, voltar ao poder contra a vontade do povo. Com uma diferença, qual seja ali houve o uso da força e da reprimenda no sentido literal da palavra. Enquanto que na atualidade há uma tentativa escancarada de ares de legalidade ao golpe por meio de “ATO DE FORÇA”, ou/e ainda por uma generalização de atos extravagantes.

O aparato judicial e investigativo chancelado por uma mídia totalmente parcial e que teve seu nascedouro no regime militar para justificar o mesmo é peça chave dessa grande conspiração em desfavor do povo.
Programações inteiras, nos mais diversos meios de comunicação tentando justificar toda a Operação LAVA JATO, bem como outras acusações contra o ex-presidente LULA prepararam o ambiente para o que seria a notícia mais bombástica do atual cenário brasileiro. E não duvidem que o referido ato possa ter sido um teste para saber a reação do povo perante uma pretensa prisão de LULA.
Estamos em pleno século XXI, vivendo um real Estado de Exceção, que nada tem a ver com ficção e que qualquer semelhança com fatos nomes e pessoas não é mera coincidência, em que direitos mais elementares caracterizadores de um Estado Democrático são tolhidos em benefício de uma elite revigorada pelo coro de uma classe média, que nega sua origem e agora se ilude com a promessa de uma união fraternal com a CASA GRANDE.
Enquanto isso a senzala, antes adormecida, acordou, foi pra rua trazendo à tona uma nostálgica volta as suas origens, embora uma grande parte ainda se encontre envaidecida, ora pelo afago necessário do Senhor de Engenho, ora pela falta de concretização do projeto que trouxe os excluídos para linha de frente de conquistas nunca antes imaginadas.
Aguardemos as cenas dos próximos capítulos, mas sem esquecermos a aflita máxima do cidadão Marco Aurélio Melo: “ALGUMA COISA ERRADA ESTA ACONTECENDO”.







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